Jornal Valor, 28 de setembro de 2010

fozRoberto Foz: “A expansão das obras de infraestrutura gerou a necessidade de mais capital”

A IFC, agência do Banco Mundial (Bird) para projetos no setor privado, e a resseguradora suíça Swiss Re, segunda maior do mundo, anunciaram um investimento conjunto na seguradora brasileira UBF Seguros e Garantias.

A transação, na qual a IFC vai entrar como minoritária, marca uma mudança na estratégia da agência para o setor financeiro no Brasil. Depois de aplicar US$ 1,2 bilhão em operações estruturadas voltadas para bancos médios, a IFC quer começar a diversificar seus investimentos nessa área, afirmou Paulo De Bolle, responsável pela área financeira da IFC.

O alvo serão, principalmente, seguros e microcrédito. “Queremos desenvolver setores que consideramos importantes para o país, e onde nossa presença traga inovação”, disse De Bolle.

A operação de entrada na UBF envolve, em uma primeira etapa, a aquisição dos 55% do capital da seguradora que pertencem à americana Radian (45%) e ao grupo brasileiro Rio Bravo Investimentos (10%). Os 45% restantes já pertenciam à Swiss Re. O valor da transação não foi divulgado.

Em uma segunda etapa, haverá o aporte de US$ 40 milhões, dos quais a maior parte (US$ 30 milhões) virá da Swiss Re. Os recursos vão mais do que duplicar o capital da UBF para US$ 60 milhões, explicou Iván González, diretor de Seguros e Linhas Especiais da Swiss Re.

A operação depende ainda de autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Fundada em 1997, a UBF é uma das maiores empresas em seguro garantia, segmento que responde por dois terços de seu faturamento. O restante vem do mercado de seguro agrícola e pecuário.

O seguro garantia, que movimenta perto de R$ 350 milhões em prêmios, é a bola da vez no mercado brasileiro. Com a expectativa de realização de mais de R$ 200 bilhões em investimentos de infraestrutura no país nos próximos cinco ou seis anos, a demanda por cobertura de garantia de obras está se acelerando. Essa modalidade de seguro garante a execução de obras e riscos de engenharia, além de propostas financeiras em licitações para obras públicas.

“A expectativa é muito grande porque chegamos a um ponto em que, para enfrentar o desafio da expansão das obras de infraestrutura, precisaríamos de mais capital e tecnologia”, comentou Luiz Roberto Paes Foz, presidente da UBF, sobre a entrada dos novos sócios.

De Bolle e Francisco Lozano, executivo da área de investimentos da IFC, explicam que é tradição da IFC investir em setores que, embora tenham boas perspectivas de crescimento e rentabilidade, contam com “pouco eficiência” em termos de competição.

Os nomes IFC e Banco Mundial atraem outros investidores que passam a olhar estes setores com mais atenção, trazendo mais concorrência e valorizando os ativos. O seguro garantia se enquadra neste perfil, diz Lozano, ao representar apenas 0,22% do Produto Interno Bruto no país, metade de seu peso relativo nos demais países da América do Sul.

Nesse sentido, dizem os executivos, a transação envolvendo a UBF e a Swiss Re é “emblemática” para a agência que, embora esteja estreando em seguros no Brasil, já investia nesse mercado em outros países, também em parceria com a Swiss Re.